Filigrana do Cerrado

Sutilezas da Alma

Cada peça tem a sua história

Arte, artesanato, manufatura ou industrial?

Com a informatização e a alta tecnologia em tudo, em tudo mesmo, ficou difícil entender o que é artesanato. Eu, na minha “santa ignorância” entendo que artesanato é um tipo de trabalho manual que tem por produto final uma peça única, feita individualmente, apesar de ser possível fazer várias PARECIDAS. Porém com a tecnologia, posso usar de recursos que agilizem o trabalho em algumas etapas, porém entendo que mesmo assim, o produto final se torna único e exclusivo.

Nos dias de hoje, com as facilidades tecnológicas se tornou difícil entender o que é artesanato, o que é manufatura e o que já se tornou industrial. Não pretendo desenvolver o tema, mesmo porque não tenho competência para isto, existem pessoas que estudaram, pesquisaram e tem a competência para discorrer muito bem sobre o assunto inclusive, me corrigir caso eu esteja equivocada nas minhas colocações. Desejo apenas despertar nas pessoas a curiosidade para perceberem que apesar de tudo ainda existe artesanato.

Existe curso superior para Artista Plástico, porém não existe para artesão. Esta é uma característica do artesão, a “informalidade”.  Com todo respeito ao meu trabalho como artesã e a todos os artesãos, quando falo em informalidade é no sentido de não haver o compromisso de nos inserir em alguma “Escola” (Renascentista, Impressionista, Moderna, Barroca, Abstrata…), ou se tornar uma Obra-Prima, ou partir de alguma premissa de criação, e sim o compromisso único e exclusivo com a nossa ALMA. Sinto no Artesanato a transformação, ou transbordamento, não sei, de sentimentos em algo simples e sutil que pode se transformar num utilitário, num adorno, num móvel, enfim num objeto que materializa um pouco da alma de quem manipula independente se através de uma máquina acoplada num computador ou simplesmente diretamente num galho ou um retalho, um pouco de barro, uma sucata…

Vendo por este prisma, cada peça artesanal passa a ter uma história, mesmo quando são peças “repetidas”, pois cada momento na vida do artesão como de qualquer pessoa é único e não se repete.